Normas

Da Paraíba para o mundo, com amor:

Todo o material publicado nesta página representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um indivíduo do século passado. Se você achar aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas, racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga, a seu próprio risco. Ou não.

Use antes de agitar: leia as normas do blog e lembre-se: comentários são moderados. Anônimos não serão publicados.

E aproveite que eu sou professor: se você achar que eu posso ajudar, mande um e-mail para mrteeth@ghersel.com.br

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Só pra atualizar

São casas simples, com cadeiras na calçada,
E na fachada escrito em cima, que é um lar
Chico Buarque (Gente humilde)

Só pra manter o blog atualizado, que eu estou há tempos sem escrever. Então eu vou colocar uma foto da praia aqui em frente à minha casa:


Mais: Meu amigo Tito (que tem o mesmo nome do meu pai) tá de blog novo. Eu já li tudo, devorei em menos de duas horas, apesar de ter muita coisa escrita. Mas é tão bom de ler que nem parece, e, quando acaba, a gente fica querendo mais. Tá linkado aí do lado, é o Todo Mundo/Toda Gente, e vale cada palavra. E o mais engraçado é que o nome do blog é Todo Mundo/Toda Gente, mas o link é http://todagentetodomundo.blogspot.com/... viu como o Tito inverteu o nome no link? Acho que foi de propósito, pra afastar curiosos, hehehehe. Esperto, esse Tito!

Hoje é feriado, por isso estou com tempo de sobra. Agora eu vou arrumar a gaveta das camisetas, que eu quase só uso camiseta, aqui na Paraíba.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Formatura (atualizado)

Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Chico Buarque (
Flor da idade)

Último dia de aula na facul. Último dia mesmo, pra essa turma. Eles até já fizeram as festas, tiveram colação de grau, baile, aula da saudade (eu até hoje não entendi bem que diabos é isso), mas hoje foi o último dia de aula, por um desses descalabros de calendário escolar.

Eu me lembro que, durante meu doutorado, eu presenciei a última aula de uma turma da disciplina de Materiais Dentários da USP (desculpem a falta do link, não consegui recuperar o post). Essa turminha estava no meio do segundo ano de curso, mas a energia, a alegria, a festa, enfim, tudo foi parecido com essa aula de hoje. Era o mesmo clima de liberdade, de superação, de puro contentamento. Depois eles saíram fazendo buzinaço pelo campus, na maior bagunça.

Deu até inveja (das boas), e uma saudade enorme dos meus tempos de acadêmico.

Ah, e aproveitando o post: hoje, pela primeira vez depois do começo da presbiopia, eu dei aula sem óculos no laboratório. Usei lente de contato. Colocar aquilo no olho é um pesadelo, é anti-natural enfiar o dedo no olho, mas eu consegui. E consegui enxergar o suficiente pra ler a bula dos materiais. Foi uma tremenda vitória, porque eu detesto óculos. Acho que vou me acostumar com a coisa.

Atualização:
Eu já tive outro blog, onde escrevi o tal post sobre a última aula, de que eu falo aqui. Depois de muito pensar, consegui me lembrar onde estava, então, transcrevo aqui o texto, para explicar melhor:

03/06/2004 12:50
Férias chegando! - ou, como as coisas mudam ligeiro...

Estamos chegando perto. O esperado último dia de aulas do semestre está cada vez mais próximo, com toda a adrenalina que esse fato acarreta, a expectativa de ficar uns dias em casa sem fazer nada, pegar um cinema, a turma toda combinando festas de confraternização, um certo clima de véspera de feriado no ar... e por outro lado, estresse por causa das provas. Eu fico sempre muito curioso nesses dias, mais ainda no final do ano, mas agora também pinta uma certa sensação de estranheza em ver como tudo muda em questão de segundos.
Explico: hoje teve prova. Os alunos passaram, em algumas horas, por três estados de ânimo bem diferentes, ou talvez até mais, mas eu consegui identificar três: primeiro estavam excitados, falavam alto, era a antecipação da prova teórica, sempre temida. Depois da prova veio a revolta, porque tinha pergunta mal formulada, pergunta dificílima, pergunta esquisita, e os professores resolveram corrigir a prova na hora. Foi um rebu danado, todo mundo bravo! Em compensação, assim que eles saíram da sala, abriram-se os sorrisos, esqueceram-se dos problemas (ah, que delícia ter vinte e poucos anos, que beleza...) e saíram combinando a festa da sexta à noite. Eu fiquei encantado com a alegria deles!
Eu, que me considero um escargot ainda na melhor das formas física e mental, talvez já tenha perdido um pouco dessa capacidade de me esquecer de TUDO para combinar uma festa, ficar feliz e com o espírito leve só de falar no assunto, me entregar tanto.
Talvez. Mas, pensando bem, ver a moçada tão alegre me contagiou e eu, por alguns minutos, enquanto os observava de novo falando alto, correndo de um lado para outro, sacando os celulares, também me esqueci dos meus miúdos e ridículos questionamentos cotidianos e tive, também, vinte e poucos anos, voei um pouco, e me achei no direito de fazer isso.
Talvez eu ainda tenha vinte e poucos, mesmo que esses poucos sejam mais vinte e poucos, heheheh.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Difícil

Me desculpem, está difícil escrever. Meu pai faleceu no dia 30/07, vítima de um câncer de pulmão. Eu até fiquei inspirado quando outras pessoas queridas se foram, como a Miriam Mourão ou a Célia Rodrigues, mas escrever sobre o meu pai é diferente. Então eu acho que vou ficar uns tempos sem escrever aqui. Paciência. Se eu conseguir, escrevo sobre ele. Se não, vou inventar outra coisa. Mas, prometo, não vou deixar de escrever.

sábado, 25 de julho de 2009

Sobre Caymmi e o sábado à noite

Mas eu tô ficanco velho
Cada vez mais doido varrido
Rita Lee (Ôrra, meu)*

Sábado, 10 da noite. Acabo de chegar em casa, achando que é um sintoma do passar do tempo, chegar cedo quando o normal seria ver o sol nascer sobre o mar da Paraíba, mas não estou em férias e amanhã, se não é dia de branco, é prenúncio de segunda-feira de ralo.

Fui jantar no Bahamas. Aqui em Jampa, Bahamas é um restaurante. Em Sampa, puteiro. Aqui tem música ao vivo, e o mais impressionante é que o músico tocou (e cantou, bem) uma tremenda seleção de músicas do Mato Grosso do Sul, com direito a Cuitelinho, Trem do Pantanal (Sobre todos os trilhos da terra, para quem conhece) e Kikyo, uma raridade do Geraldo Espíndola que eu pensava que só eu conhecia fora do MS. Confesso que, aqui no nordeste, eu gosto muito de ouvir música nordestina, até porque as músicas do MS eu toco em casa, mas foi bom ouvir algo que me lembrou de velhos tempos.

Em casa liguei a TV e estavam lá, Danilo, Dori e Nana, filhos do Dorival Caymmi, cantando músicas do pai. Misericórdia, como o Dori toca violão!!! Ele encontra harmonias absolutamente imprevisíveis, uma coisa que eu ainda não tinha prestado atenção. Eu sabia que eles todos eram músicos de primeiríssima qualidade, mas o violão do Dori nas músicas - que não são exatamente sofisticadas - do Dorival foram fantásticas. Marina foi impressionante. Eu toco Marina simplesinha, achando que toco muito bem... que nada! Eu achava que tocava com harmonia sofisticada, mas sou um nada. Ele é o cara. Caymmi é o cara.

Quase decidi nunca mais tocar Caymmi. Mas é muito bom pra não tocar mais. Mesmo tocando mal, eu continuo. Não espero melhorar, mas acho que não passo vergonha tocando.

Minha jangada vai sair pro mar...

* Eu não sei porque a música "Ôrra, meu", da Rita Lee, aparece com a letra de "Obrigado, não", também dela. Bobeira de quem publicou. Imperdoável.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sobre os sapos, o blog e alguns consertos em casa

A sapa, mulher do sapo, falou que o sapo anda meio guapo
Que o sapo véio mascava trapo, espumano a boca de imaginá...
Sapos (M. Rita Toledo)

Inda ontem, a minha amiga Sapavéia reclamou que o meu blog está às moscas. Verdade... sugeri um blog coletivo, eu, ela e mais quem acharmos merecedor de escrever conosco. Se vingar, divulgo oportunamente. Não nego que, no momento, várias skóis lubrificavam nossas normalmente tão circunspectas mentes, mas a idéia é boa.

Por outro lado, consegui terminar algumas coisinhas que tinha pra fazer em casa, um dos motivos do abandono do blog. Mudei o lugar do telefone, que é sem fio e atrapalhava o sinal do router wireless. Perto um do outro, os dois funcionam mal. Também abri meu netbook e instalei um novo pente de memória nele. Um horror, é preciso desmontar o computador INTEIRO (mesmo!) pra instalar um pente de memória. O pior é que o conector do teclado é dificílimo de instalar. Fácil remover, terrível para religar. Mas eu consegui, paciência e perseverança são características minhas (leia-se 'teimosia extrema'). Agora falta chegar meu computador oficial do conserto (pifou a placa de vídeo) pra eu reformar a rede. Vai ficar uma beleza!

Preparando post sobre um novo creme dental que eu, por pura curiosidade, comprei na sexta-feira. Azul escuro, ele tingiu até a minha escova, e promete clarear os dentes. Vejamos.

Com a chuvarada, o bairro onde moro virou um brejo. Ouço sapos cantando todas as noites. Sapos, rãs, pererecas e outros bichos. Adoro esse som, me traz boas lembranças. Agora, ainda mais.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ídolo pop bom é ídolo pop morto (revisitado)

Morreu, que triste fim!
Morreu com o nariz fazendo assim:
Hum hum, hum hum, hum hum, hum, hum.
Dinho (
A mulher que o trem matou)

Quando o Sivuca morreu, os caras do "A torre de marfim" escreveram um post chamado "Sanfoneiro bom é sanfoneiro morto". Eu não consegui recuperar o post, acho que eles se arrapenderam e apagaram. Eu espero que eles gostem do Maicon Jegue, aquele ex-negro, ex-cantor, ex-dançarino, ex-ser-humano que morreu ontem. Acho que, se eles gostarem, o troco tá na medida, porque eu até hoje gosto muito do Sivuca.

Eu nunca gostei do Maicon Jegue. Sempre achei que ele fez sucesso demais, com uma música feia, chata, simplista, além de uma imagem exagerada, dos xiliques, dos escândalos. Abriu estrada pra outras chatices da música americana, como Madona, Britney s'Pinscher, Justin Timberland e etcéteras. E nós, gado, tendo que ouvir esses horrores. E saber das bebedeiras, das fudelanças e outras baixarias dessa turma. Então eu acho que o Maicon Jegue já foi tarde. Causou muito estrago por aqui, antes não tivesse começado. Acho que tem gente sem a qual o mundo seria melhor. Pelo menos ele não teria comprado os direitos sobre as músicas dos Beatles, esses sim, revolucionários que mudaram o rumo da humanidade pra melhor.

Sempre que eu faço uma correção eu coloco em letras pequenas. Hoje coloco em letras grandes e de outra cor, porque eu acho que cometi uma tremenda injustiça com os amigos do A torre de marfim. O Matamoros escreveu, educadíssimo (vide comentários), que eles não fizeram o tal post sobre o Sivuca que eu alego que eles haviam feito, e eu concordo com ele: eu devo ter sonhado com isso. Pesquisei o quanto pude no Santo Google e não encontrei nada sobre o tema, então eu acho que fiz calúnia. Mea culpa, me perdoem, rapazes, eu os admiro muito e não deveria ter sido leviano a ponto de afirmar que vocês escreveram algo que eu não pude comprovar. Mas continuo não gostando do Maicon Jegue, hehehehe.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Uma reforma corajosa

Eight simple rules

Não entendi o enredo desse samba, amor
Já desfilei na passarela do seu coração
Jorge Aragão (Enredo do meu samba)

Eu considero a reforma ortográfica brasileira inútil, inoportuna e, principalmente, covarde. Tá, até que está mesmo na hora de dar uma reformada na forma de se escrever o português do Brasil, tão parecido e tão diferente do de Portugal, mas fazer isso da forma atrapalhada e ridiculamente ineficaz como foi feito, sem uma consulta popular, por um bando de velhos caquéticos, desinformados, beletristas, caducos e sem ter o que fazer, é sacanagem!

Então, eu, Mr. Teeth, vou propor uma reforma corajosa, que extirpe o que o português tem de pior, tornando-o uma língua razoável, pelo menos para se escrever. Acompanhe:

1. Removem-se TODOS os acentos e demais sinais diacríticos. Eles são completamente desnecessários. Em inglês não há. Em hebraico e árabe não há sequer vogais.

2. Acabam as consoantes dobradas. "SS" e "RR" não serão mais necessários, pois todos os sons de "S" como em massa, isso e nossa serão grafados com um só 's'. Todos os sons de 'rr' podem ser escritos com a letra 'h', que não tem grande utilidade hoje. Então, ao invés de 'carro' você passa a escrever 'caho', ao invés de 'roda', escreveria 'hoda' e assim por diante.

3. Pelo mesmo motivo do ítem 2, desaparece o "ç". Veja só que facilidade para se escrever 'masa' ao invés de 'massa', 'eu meso' ao invés de 'eu meço', 'casa' ao invés de 'caça'. Alguma confusão é esperada, como no caso da maçã, mas hoje nós temos a manga* e ninguém reclama. Então, se eu quiser escrever que "este carro é caro", fica assim: 'este caho e caro'. Pronto.

4. Some o "ch". Todas as palavras com o som de 'ch' serão grafadas com 'x', como no 'xou da xuxa'. Simples e objetivo. E o 'x' só terá som de 'x' mesmo, nada de escrever 'exato', porque o som do 'x' aí é 'z', então escrevemos com 'z', e fica 'ezato'. Casa também vira 'caza' e misantropo vira 'mizantropo'.

5. A letra 'c' terá sempre o som de 'k', mesmo quando preceder as vogais 'e' e 'i'. Ciso vira 'sizo', centavo torna-se 'sentavo'. Então o conjunto 'qu' também se torna obsoleto, e você poderá escrever: "o ce acontesera..."

6. Os dígrafos 'lh' e 'nh' continuariam existindo, eu não consegui pensar em algo melhor. Mas eu acho que seriam os únicos. Até porque são sons que não têm outra forma de ser grafados. Todos os outros dígrafos serão abolidos, como 'ch', 'rr', 'ss', 'qu' e o que mais vier.

7. Aliás, porque é que o 'g' precisa de um 'u' para ter som de 'gue'? Porque é que nós não escrevemos 'je' e 'ge'? São sons diferentes, grafados diferentemente, então, a palavra gente vira 'jente' e gueixa vira 'geixa'. Gueto transforma-se em 'geto' e ginete em 'jinete' (procure isso no dicionário, se você não sabe o que é).

8. Finalmente, abolir as separações de palavras compostas. Todas. Pré-venda, pós-graduação, anti-bomba, essas coisinhas bestas, pode emendar tudo. Fica prevenda, posgraduasao, antibomba. E, acima de tudo, só um jeito de escrever porque. Porque nós temos que escrever isso de três formas diferentes? É ridículo, ter que saber onde separa e onde é junto, se tem acento ou não, se tem hífen ou não... simplifiquemos, o porque só tem uma forma de se escrever.

Tenho dito! Se você tiver alguma sugestão, crítica ou, de alguma forma, discordar disso, pode argumentar, desde que seja civilizadamente. Eu posso publicar aqui o seu argumento.

* Aqui no nordeste eu aprendi que a palavra 'manga' tem 3 significados: parte de uma peça de vestuário, fruta e troça. Esta última é bem regional: "Tá mangando de mim, home?"